Our Thoughts
Na minha humilde percepção, houve poucos comentários sobre fatos extremamente relevantes nos últimos dias. Na verdade, no que vem acontecendo nos bons últimos 10 anos e vem culminando nos acontecimento dos últimos 6 meses.
A ultima grande discussão levantada por Steve Jobs sobre DRM está intimamente ligada com o vídeo sobre WEB 2.0 que enviei no mesmo dia. BTW, alguém notou que o vídeo sobre WEB 2.0 foi produzido por um antropólogo? Ao contrário do que se poderia imaginar, uma pessoa com pouca intimidade com a tecnologia. Então, porque tudo que se comenta quando se fala sobre esses tópicos é o aspecto técnico? Há nitidamente uma urgência para uma discussão filosófica sobre o assunto, é exatamente isso que Steve Jobs e Michael Wesch (o do vídeo) exclamam. Até onde vai a curta eficiência e sistemas de proteção de direitos autorais com DRM?
Grandes gênios há muito já haviam chegado a conclusão que a única maneira de prevalecer ao tempo, é compartilhar o que se pensa, “share the thought”. A expressão idiomática inglesa é de grande profundidade filosófica. Sir Isaac Newton uma vez disse que a conquista de qualquer resultado de seus trabalhos, tais com a lei da gravidade, só foram possíveis pois estavam “by standing on shoulders of giants”, em referencia a Aristóteles, Descartes e outros. Fazer a ligação daí pra frente é simples. Alguém consegue imaginar o que seria de Einstein sem Newton? Existe um artigo muito interessante sobre a idéia de gênios “solitários”, que nos faz refletir sobre os “grandes” artistas de hoje, como são o que são.
“Mas o que há de mal em se vender o trabalho intelectual?” meu leitor deve estar se perguntando. Grandes gênios, trabalhando solo ou não possuíram seus respectivos patrocinadores. Se é essa a dúvida nesse momento eu peço pense um pouco além. O intuito aqui nunca foi questionar o mérito financeiro de autores contemporâneos, mas sim a restrição que se impõe o conhecimento, ao poder humano. Por favor, compreendam conhecimento como toda e qualquer produção intelectual: filmes, músicas, livros, patentes, etc. Uma vez que o conhecimento existe e é válido, ou seja, geral uma quantidade substancial de poder a um grupo social humano, não é possível se desfazer dele, não há como impedir sua proliferação. Para compreenderem melhor, recomendo um outro vídeo conhecido como “Piracy is Good?”. Mas vou tentar também uma analogia mais simples: a bomba atômica. É um fato. Nação alguma conseguiria manter sigilo ou exclusividade sobre tal conhecimento, a voracidade do ser humano para informação é implacável, e não há como desinventar algo que fornece tamanho poder. Como sobrevivemos até hoje? Simples, aprendemos a lidar com o poder para não ser subjugado por ele.
Tentar proteger arquivos de música usando DRM é tão fajuto quando tentar manter a confidencialidade do Projeto Manhattan, ou utilizar padrões de criptografia no DVD para diferentes regiões do planeta para evitar a pirataria. Para nossa felicidade a mente humana não se rende com tão facilidade em sua busca pelo conhecimento e consequentemente poder. Tentar conter o conhecimento em um mundo que vivencia o advento da internet é ver uma cena como se a Hoover Dam estivesse cedendo e mandar um pedreiro para tapar os buracos.
Chegamos a um momento da historia humana em que teremos de aprender definitivamente a lidar com o poder e conhecimento que temos e não há escapatória. Grandes corporações engessadas pelos lucros bilionários uma vez atrelados a meios físicos que por sua vez mantinham o conhecimento amarrado através da mídia, agora se esfarelam no vento junto a freqüência de 2.4Ghz de protocolos Wi-Fi. Tudo isso esta acontecendo rápido, muito rápido. Cabe a nós e a nossa contribuição às empresas que trabalhamos lidar com o conhecimento e o poder que nos é concedido.
Não temos escolha, faremos isso, ou ficaremos presos a nós mesmo. O que acham?


1 comentários:
Concordo em gênero número e grau. O grande problema vai ser todos concordarem com isso, principalmente as empresas que ganham com isso, como Sony e outras gravadoras por aí. Eles sabem que o DRM não presta (e vale lembrar que ele já foi quebrado no Windows Vista), mas ainda garante uma certa lucratividade.
Nós e diversas outras pessoas já estão preocupadas com isso, mas essas empresas que ganham com isso só vão se mexer quando a coisa apertar. Isso acontece em qualquer área da ciência e tecnologia. É o paradigma que temos. Vide o caso "Empresas petrolíferas x Pesquisas sobre combustível alternativo", ou mesmo o caso "Microsoft x Open Source".
Grandes empresas de petróleo como Shell, Texaco e afins sempre ganharam rios de dinheiro com a gasolina e o Diesel. E já faz um bom tempo que sabemos que é possível, viável e interessante pesquisar e utilizar outros tipos de combustível. Mas quando elas apoiaram isso?? Nunca!!!
Agora que sabe-se que as matérias primas para o desenvolvimento da gasolina e do diesel está "acabando", é que elas começaram (e ainda estão engatinhando) a pensar no assunto. Somente agora a Petrobrás enxergou que também pode ganhar dinheiro com o BioDiesel. Vocês acham que eles não terem visto antes foi um erro estratégico?
Sobre o outro exemplo, na área de Software, temos que o Open Source é uma tendência. E funciona bem. Software Open Source não são caros, estão sempre sendo atualizados e corrigidos. Por isso provém diversas vantagens comerciais e principalmente empregos. Isso mesmo; empregos. Existem MUITAS empresas pequenas por aí que são excelentes Software Houses. Quanto mais sistemas tiverem Open Source, mais elas vão crescer.
A Microsoft, por outro lado, cada vez mais desenvolve sistemas fechados, complexos, amarrados. Isso um dia ainda vai acabar. Ok, a Microsoft tem o que eles chamam de FGUI (Friendly Graphic User Interface). Ok, a Microsoft dispõe de suporte. Ok, a Microsoft é um sistema que vende muito. Mas o dia que houver um sistema operacional Open Source que seja User friendly, que dê suporte gratuito (ou a custo muito baixo) a seus usuários, o Windows terá realmente seus dias contados! O que? Suporte gratuito é impossível? Pense bem. Veja os aplicativos que vc usa hoje em dia, e repense.
Infelizmente, enquanto essas empresas estiverem ganhando dinheiro com o que temos hoje, isso dificilmente vai mudar. A Apple, e algumas outras estão no caminho certo. Mas isso porque elas são privilegiados por desenvolverem produtos E, ao mesmo tempo, vendem serviços. Eles têm uma visão maior do "para onde estamos indo".
As empresas tem que parar de seguir tendências, e fazer bonito depois que alguém já fez. O que dá dinheiro hoje em dia é criar as tendências. E talvez seja isso que algumas empresas e pessoas ainda não enxergaram.
Abraço,
Postar um comentário